domingo, 4 de janeiro de 2009

Dançando com as estrelas

           Noite Estrelada - Van Gogh

Quem se depara com a cidade durante a noite , acaba por se surpreender com o seu comportamento que , diferentemente do visto,ouvido e até sentido (por que não ? ) durante o dia - buzinas que pedem analgésicos , multidões que pedem espaço , poluição que pede ar puro e pressa que pede descanso - se mostra muito mais aconchegante.

Da janela de um dos inúmeros apartamentos habitados por seres noturnos e que , por isso , vivem acesos , formando a verdadeira paisagem urbanística , com o pisca-pisca e a justaposição das janelas iluminadas , é possível notar (e até apreciar) uma verdadeira boa noite na grande cidade .

A temperatura amenizada pela folga do grande astro aliada ao clássico e característico ar gélido denso que , ao percorrer as vias aéreas , parece limpar tudo respirado durante o dia , tornam qualquer madrugada da grande urbe um verdadeiro remédio para o dia cáotico que terminou . Sem contar no silêncio único , interrompido apenas pelos latidos , ou uivos , dos lobos-cães da vizinhança . Único .

Não sei , vai ver é por isso que a noite ganha cada vez mais adeptos , cada vez mais janelas acesas . Pelo seu jeito diferencial de ser , tão apegada aos pequenos detalhes , tão criativa , tão romântica . Cheia de partezinhas bem pequenininhas , mas de suma importância no espetáculo do firmamento negro ... partezinhas presentes apenas durante a longa estada da Lua sobre nossas cabeças .

O céu estrelado pode ainda não ser o melhor habitat para todos . Pode não ser nada disso idealizado para alguns . Mas é , inegavelmente , o palco da dança das estrelas , que anos-luz atrás estavam lá , se apresentando para nós , seres humanos , no grande espetáculo da noite na cidade . Assim , único .

sábado, 3 de janeiro de 2009

O mercado da vida





Há aproximadamente oito dias , Israel - o estado santo - começou uma ofensiva aérea que já se extende para uma ofensiva terrestre sobre as terras milenares e bíblicas de Gaza , que já fez , de ínicio , centenas de vítimas .

Ofensivas como essas não são nenhuma novidade na nossa belicosa historiografia planetária . Desde que o homem convive com si mesmo a guerra existiu . Porém , uma coisa mudou dos tempos negros medievais e seus conflitos para as guerras tecnológicas que explodem atualmente : nunca uma vida teve tão pouco valor.

Fere-se , atira-se , tortura-se , multila-se , mata-se , dispara-se , explode-se , destrói-se por nada , ou melhor dizendo , por tudo , por qualquer coisa . Por dinheiro , por poder , ou quem sabe até por ambos , já que estes sempre andam juntos , faz-se da vida não mais moeda de pagamento , mas sim o troco - em centavos - dessa suja transação .

E , entre mísseis e granadas , tiros e torpedos , bombas e blindados , refugiam-se pessoas , vidas . Vidas cujos responsáveis por tais conflitos parecem esquecer que , apesar do pouco valor unitário que rotulam a essa mercadoria chamada ser humano , ela possui um valor . Um valor que jamais será alcançado por quaisquer números digitais de contas bancárias ou impressos em um papel especial . O valor de uma vida ..

Logo , nesse ritmo , a deflação da vida continua , afinal , a oferta é maior do que a procura .E , esta , acaba por , cada vez mais , se desvalorizar - de pregão em pregão . ..